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Aprendendo a Pensar, um Exercício de Inteligência Necessário

O Ato de Aprender a Pensar deveria ser a mais importante disciplina dentro da pauta de todas as pedagogias civilizatórias...
"Sem antes conhecer a si mesmo, torna-se impossível compreender os outros..."
Aprendendo a Pensar, um Exercício de Inteligência Necessário

Nunca devemos nos esquecer de que, para uma criança, coisa má ou boa, ambas, são simples ensinamentos ou instruções...

Examinando o estágio primário da Questão...

Observe uma criança recém nascida: ela ainda não sabe falar, mal consegue enxergar além do próprio nariz e é completamente dependente dos seus pais ou responsáveis. No interior do seu cérebro apenas as informações necessárias para que seja capaz de exercer seu instinto, estão gravadas. É por isso que saberá chorar e assim expressar um desconforto físico.

Dentro desse repertório reduzido de informações também está presente, em estado de hibernação, alguns aspectos do seu temperamento, o que explica sua futura predisposição para empatizar com algumas atividades e processos cognitivos, ou ainda resistir na assimilação de outros.

No entanto, os atributos dormentes do seu temperamento, só poderão se fixar como traços ativos de sua personalidade a partir de estímulos do ambiente onde vive. E tudo isso pode ser considerado como aprendizado, parte do condicionamento transmitido através da mesologia onde está inserida.

Quem ou o que gravou em seu cérebro as informações instintivas, a chamada memória primária ou ingênita, isso não é assunto para ser discutido aqui, e a ciência ainda engatinha tentando explicar esse processo. Mas graças a isso, ela já saberá fazer “algumas coisas", mesmo sem ter recebido instrução prévia de nenhum adulto.

Seus pais ou responsáveis, no papel de adultos, já possuem uma razoável experiência de vida. Assim, esse mundo de distorções tradições, crenças, ideologias, regras e protocolos que condicionam seu viver não é mais nenhuma novidade. A qualidade da interação que terão com essa criança, logicamente, vai depender do seu nível de instrução. Mas, não poderão abrir mão daquilo que já aprenderam da tradição, toda herança cultural recebida dos seus pais ou de outros que os antecederam.

E uma coisa é certa: a maioria desses pais seguirá à risca aquilo que aprenderam enquanto cresciam. Irão repetir o próprio condicionamento, essa é a lógica corrente; uma espécie de protocolo obrigatório.

Aquela criança ainda não tem experiência de vida, por isso não possui memórias, que são as lembranças das coisas vivenciadas. Por isso, ainda não deseja, nem sente raiva ou empatia; nem é medrosa, muito menos guarda rancor das pessoas. Também não planeja um futuro para si; nem é capaz de demonstrar predisposição consciente, racional, de forma seletiva, por alguma coisa.

Nesse estágio existencial as crianças estão completamente vazias, e embora não pensem, já possuem o potencial para absorver o pensamento, o modelo cognitivo dos outros. Conhecer a utilidade de uma coisa para depois decidir o que fazer com ela, isso é o ato de pensar, deduzir, avaliar. Mas isso requer experimentação anterior, vivência, memorização. E como elas ainda não passaram por nenhuma dessas fases ou estágios evolutivos e não conhecem a utilidade das coisas, então, não são capazes de pensar de forma lógica, objetiva, lúcida.

A compreensão de qualquer processo cognitivo não pode ocorrer se o examinador não fizer parte da pesquisa através da autoexperimentação...

Mas a capacidade de pensar, isso elas já possuem. Capacidade de pensar é bem diferente de saber pensar. A capacidade de pensar é involuntária, inata, não depende de memórias, nem de lembranças. Formular pensamentos é coisa calculada, cientificada, que requer memórias, lembranças, esclarecimentos, fórmulas ou roteiros de como as coisas funcionam. O pensamento é um arranjo lógico das memórias, de modo que organizadas façam algum sentido, signifiquem alguma coisa, algo capaz de se expressar através de um ato consciente.

Assim, a capacidade de pensar todo ser humano possui como potencial, e isso não depende de vontade ou aprendizado. Já para a construção de um pensamento, esse mesmo ser humano irá precisar de informações e experiência de vida. Necessita da lembrança, do resgate das suas memórias. As memórias virão, serão formadas enquanto interage com as coisas do mundo. E isso ocorrerá quando estiver com todo seu sistema sensorial funcionando perfeitamente, pronto para captar e depois interpretar de forma clara, para si mesmo, todas as impressões que o bioma onde vive seja capaz de transmitir.

Nessa fase inicial, tudo que é gradualmente percebido pelos seus órgãos sensoriais será digno de uma avaliação atenta, mas sem interpretações. Falta maturidade sensorial e o intelecto ainda não está formado. E importa mais a clareza da experiência, a qualidade do toque, cheiro e sensação, do que uma compreensão racional, intelectual, do que está acontecendo.

A criança está no início de sua jornada, vazia por dentro, à espera de conteúdo. Eis a razão pela qual ainda não é capaz de construir, de forma voluntária, as cadeias pensênicas lógicas que chamamos de pensamentos. Nesse estágio aprenderá de forma intensa com aqueles que estão do seu lado.

Seu cérebro, embora ainda privado de informações, das regras operacionais e protocolos do mundo, já possui a capacidade involuntária de memorizar qualquer coisa capaz de ser detectada pelos seus cinco sentidos ordinários.

Receberá assim as primeiras informações, as confirmações e explicações das experiências vividas, de outro adulto, que já sabe das coisas, um veterano naquele mundo. Ele, o adulto, sabe das coisas do mundo porque repete suas regras e conceitos morais, materiais e espirituais, desde incontáveis gerações.

E como os adultos, a criança também será ensinada a replicar tudo isso. Ocorre que cada indivíduo tem um potencial inato para assimilar as coisas que lhe serão necessárias à sobrevivência na terra através da imitação. Os adultos, que já são mestres na técnica de repetir na íntegra as velhas regras, mitos e tradições, tenderão também a repassar todo acervo acumulado ao longo do tempo, para as suas crianças.

E todas as regras de funcionamento de qualquer coisa existente em nosso mundo, serão simplesmente copiadas de uma mente para outra, do mesmo modo que se duplica um livro já publicado. E do mesmo modo que se revisa um livro, eventualmente, alguma ressalva é acrescentada a todo esse acervo intelectual. Assim, para nós, a repetição de velhos hábitos e procedimentos técnicos ou processos emocionais, significa pensar.

Se observarmos uma criança a brincar, entretida com um brinquedo, do qual ela realmente gosta, ter-se-á a impressão de que a mesma está em um mundo à parte. Nesse processo de atenção total, ela não segue nenhuma regra estabelecida. Ali, ela cria suas próprias alegorias, de forma livre, lúdica.

Longe da rigidez das regras pré-estabelecidas, onde o pensamento não está exigindo, comparando, seguindo regras que não poderão ser quebradas, ela fica a vontade para criar, sem medo dos censores, sem medo de castigos e sem a obrigação de agradar para receber recompensas. Nesse estado de ignorar os próprios pensamentos, ela se torna inteligente e criativa. Não é dependente nem prisioneira de ninguém, de nenhuma lei, conjunto de crenças ou qualquer outra diretriz. Não precisa seguir roteiros ou protocolos conhecidos, está disposta a criar seu próprio caminho.

Por fim...

Cumpre ao educador compreender o que significa este estado de não pensar, e apenas assim, terá dado o primeiro passo para descobrir, compreender, o que de fato significa o pensar consciente. Ao perceber que não pensa, estará pela primeira vez pensando. Não se trata de um paradoxo, mas da simples constatação de que aquilo que ele atualmente chama de pensamento, não passa de um processo cego de discordância ou concordância, onde ele se guia através de procedimentos padronizados, receitas disponibilizadas para uso. Esse percebimento já é uma demonstração de inteligência.

Conclusão: A criança só poderá aprender a pensar por conta própria se seu orientador também já faz a mesma coisa. Ou seja, só alguém qualificado na arte de pensar será capaz de mostrar como se faz.

Exercícios para fixação

Se quisermos educar nossos filhos e alunos, orientá-los com as palavras certas é fundamental. Se não desejo que meu filho pense em coisas negativas, devo então falar com ele sobre coisas positivas. Para a mente o “Não” funciona como um estímulo à indisciplina, enquanto que o “Sim” induz à disciplina.

Desejando que meus filhos não briguem entre si, deverei ser claro: “Respeitem um ao outro, ou cuidem bem um do outro”. Expressões do tipo: “Não brigue com seu irmão”, ou “não pise na grama...”, deverão ser evitadas.


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