Dicas para Autorreciclagem

20 Fatos Sobre Mudanças que você precisa Conhecer antes que seja Tarde...

O homem criou um mundo à semelhança dos seus caprichos e aspirações apenas para acomodar seus desejos patológicos mais bizarros...
"Acertar a partir dos erros é um notável exemplo de sabedoria. Errar a partir de acertos, um incontestável exemplo de estupídez..."
20 Fatos Sobre Mudanças que você precisa Conhecer antes que seja Tarde

Uma mudança apenas na estética é como a feitura de uma fruta de cera; apenas por fora parece que é...

Avaliando o real Significado por trás da palavra Mudança...

Para a maioria das pessoas, o ato de mudar de opinião, crença, ideologia, roupa ou penteado, normalmente ostenta o significativo status de “mudança”. Mas tudo isso são apenas aspectos que se prestam a retocar a estética aparente das coisas, a exemplo de uma vitrine onde são exibidas embalagens que sistematicamente trocam de posição ou aparência, embora o conteúdo permaneça o mesmo.

Ocorre que o conteúdo dessas caixas está em desordem, alguns inservíveis. Cuidamos de retocar as embalagens por fora todos os dias, sem, entretanto, cuidar da estética do seu conteúdo.

Por isso, em primeiro lugar, precisamos entender o que significa essa desordem interna que dá origem a desordem externa. Mais importante ainda é aprender a identificá-la: primeiro lá fora, depois dentro de nós. O que não pode ser feito sem o atributo da atenção, que surge quando estamos em dúvida. A dúvida é a engrenagem ou mecanismo necessário para que a atenção exerça seu papel. E o papel da atenção é imprescindível durante um estudo ou processo investigativo de um problema de qualquer natureza.

Sem a atenção não pode surgir a disciplina, o caminho necessário para o florescimento do estado de organização. E é a qualidade organizacional o agente responsável por qualquer mudança.

E nada disso é possível sem o advento da inteligência, uma condição não inata, que precisa despertar do seu estado natural de letargia ou hibernação. Sem esse despertar não há como se tornar criativo. Criatividade é um predicado mental capaz de permitir ao indivíduo corrigir um erro sem cometer outros, por isso faz parte da inteligência.

Numa avaliação dessa natureza, onde o protagonista simplesmente observa e comprova a existência da desordem externa, as opiniões ou impressões pessoais são absolutamente inoportunas, desnecessárias e um empecilho ao percebimento. Lembre-se, o que está em jogo não é uma conquista que vá acrescentar alguma coisa ao nosso patrimônio intelectual, e sim a simples constatação de um fato; uma verdade que não precisa de um juiz para autenticar, ou do arbítrio próprio da intelectualidade para se consolidar.

Eis as Dicas...

Mudança não é um estado aparente que esteticamente pode ser visualizado dentro da desordem, mas, antes disso, uma estética interna que se manifesta como ordem externa. Sem essa ordem, que é a verdadeira ação, as mudanças serão apenas maquiagens, retoques na embalagem; útil apenas para mascarar a intenção de permanecer com os problemas.

A continuidade é um processo antagônico às mudanças, enquanto que a compreensão da descontinuidade nos faculta a colocar um dos pés dentro do caminho. Sem a compreensão de que a continuidade é o sinônimo da perpetuação e a descontinuidade o movimento que processa a mudança, nada poderá ser feito.

E se inicialmente não sabemos como mudar, questionar se isso é possível representa o percebimento de que onde existe uma porta de entrada também pode existir outra de saída. O questionamento sugere que não se trata da mesma porta, uma vez que uma abre de fora para dentro, e a outra de dentro para fora.

Por isso, quando um hábito negativo se manifesta de fora para dentro, por definição, tem sua própria porta, e esta representa apenas a entrada. A saída está em outra porta, aquela cuja representação é a mudança. Mas esta só se tornará visível quando reconhecemos, tanto a falha, quanto o desejo firme de erradicá-la.

A mudança é também uma força motivacional que funciona segundo os princípios da boa cognição. Boa cognição é aquela que acrescenta o que é útil e necessário pela eliminação do inútil e desnecessário. Acrescenta ao perder, a exemplo da folhagem de uma grande árvore, onde a remoção do excesso de folhas e galhos por meio da poda acaba por torná-la mais forte e viçosa.

Só podemos mudar a nós mesmos e, no máximo, essa mudança pode servir de exemplo ou espelho para o nosso entorno. É impossível para outro assimilar nosso status de mudança pessoal por meio de um ritual extraordinário, incorporação ou telepatia. A mudança é uma ação íntima, e o mais importante, que não pode ser recebida como doação a partir de terceiros.

Isso implica em afirmar que um guru ou guia não é capaz de mudar nossa compreensão sobre fatos não vivenciados, muito menos desfazer nosso comportamento patológico por meio de palavras. Um orientador consciente não tenta mudar seu discípulo, pois sabe que isso é impossível de ser feito. Mas pode esclarecer informando que a mudança é possível. Pode ainda indicar o caminho, caso o aprendiz tenha interesse; caso tenha consciência de que uma mudança em si mesmo, a partir da vontade pessoal, é o único caminho válido.

Por padrão tentamos mudar os outros, e, paradoxalmente nunca temos o mesmo empenho com relação a nós mesmos, e perceber essa anomalia comportamental já representa uma mudança. Cientes desse fato, podemos esclarecer, e por meio do exemplo pessoal, reforçar tudo aquilo que foi dito. Esclarecer implica em orientar tornando possível ao outro perceber em si mesmo onde estão as falhas e todo aquele excesso possível de descarte ou reciclagem. Entretanto, sem esse autopercebimento, não há possibilidade de progresso.

Para mudar, em primeiro lugar você precisa saber onde estão os seus gargalos posturais. Reconhecida a falha, você agora precisa compreender que ela é apenas uma parte, um dos inumeráveis traços da sua personalidade. E, apesar de possuir um defeito, você não é esse defeito.

No entanto, para mudar um traço defeituoso, você não terá êxito se apenas pensar na falha. Uma anomalia se corrige quando pensamos numa solução, e nunca no problema. Problema não se resolve com o reforço ao próprio problema. Uma cura ocorre quando pensamos na cura e não na doença.

E uma boa prática é pensar no inverso. Por exemplo: sendo intolerante e desejando mudar, devo investir em tolerância. Assim, preciso investir em tolerância e, consequentemente, estudar o que vem a ser tolerância. É o princípio da afirmação positiva. Meu cérebro compreende quando informo para ele o que fazer. Se afirmo: “sou intolerante”, este assimila e pratica a intolerância. Se, no entanto, afirmo: “sou tolerante”, ele também irá assimilar esse comando e praticar, desde que, claro, saiba como fazê-lo.

Quando nos tornamos inteligentes, isso já representa uma mudança. Não nascemos inteligentes, nem o meio social, tradicionalmente, nos faculta essa aquisição de maneira espontânea.

Por fim...

A inteligência só poderá surgir e se fixar dentro do cérebro por meio do esforço pessoal de cada um, mas nunca sem o autopercebimento dos próprios limites e imperfeições. Entretanto, perceber limites e imperfeições representa apenas o primeiro passo. A postura mais importante ainda é aceitar o desafio da mudança a partir dessa constatação, e todo esse processo ocorrerá sob a regência da vontade inabalável.

Embora muitos desejem mudar, raros são aqueles que estão dispostos a descobrir quais são as mudanças necessárias; e raríssimos são aqueles que mostram disposição para investir nelas.


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