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A Moderna Pedagogia do Retrocesso Cognitivo

Não é o aumento de conhecimento que torna o homem inteligente, mas a organização proficiente do repertório cognitivo que já possui...
"A descoberta da vocação pessoal deveria ser uma disciplina formal das mais importantes dentro da pauta pedagógica tradicional..."
A Moderna Pedagogia do Retrocesso Cognitivo

O educador que não duvida de nada é um multiplicador de alunos que acreditam em tudo...

Examinando a Questão...

Quando as instituições que se chamam escolas recebem seus alunos, sua primeira preocupação nunca é com a qualidade da cognição que eles terão absorvido ao final do período, mas com o lucro que cada um representa no início.

Não poderia ser diferente, uma vez que estamos falando de organizações comerciais com fins lucrativos. E tentar mostrar ao público que as escolas em geral são apenas instituições ou redutos filantrópicos ou paternalistas cuja missão, por vocação existencial, é dar instrução aos seus clientes, isso é a prática eufemística mais comum adotada por todas.

Quando os pais enviam seus filhos à escola é porque acreditam que serão bem acolhidos, cuidados e orientandos, e o mais importante, que ali irão aprender tudo que for necessário para o viver. Por isso mesmo em casa tratam de priorizar suas próprias carências, demandas e objetivos, e o progresso cognitivo e felicidade dos filhos, aparentemente, não faz parte desse pacote de resoluções pessoais.

Assim, o aluno vai à escola porque é uma tradição, ou uma obrigação social; ou ainda porque faz parte de sua qualificação padrão, pois é o mínimo que irá precisar para teoricamente se tornar um cidadão independente e mais tarde ser capaz de traçar seu próprio caminho.

Descobrir a função do seu magistério deveria ser uma prerrogativa obrigatória à cada educador; Saber por que vai à escola, o status básico de cada aluno...

Mesmo assim, o jovem não sabe por que frequenta aquela sala de aula todos os dias, ou o que espera aprender; muito menos sabe o que de fato é importante para si. E na sua cabeça existe apenas uma certeza, de que cumprido aquele ritual, penitência ou peregrinação de vários anos, será bem sucedido na vida pessoal e profissional. Pelo menos é isso que está implícito nas cláusulas educacionais que se vende, cuja máxima é: “Só o estudo é capaz de realizar e edificar o homem...”

Paradoxalmente, nunca explicam, sequer, o que significa ser gente. E na escola o aluno acredita, assim como seus pais – embora eles próprios nunca tenham sido contemplados com essa graça –, que ali receberão tudo aquilo do que irão precisar para se dar bem na vida, apesar de desconhecerem os princípios básicos do que vem a ser o viver.

Aliás, até parece que é proibido informar, estudar e refletir sobre essa pauta complexa que se tornou o viver do homem, uma singular trama social repleta de incontáveis conflitos. Ocorre que no currículo acadêmico tradicional não há espaço para os debates sobre os problemas existenciais humanos, uma vez que na pauta da Pedagogia do Retrocesso Cognitivo, assuntos que suscitam o despertar da inteligência não são bem vindos.

E os alunos acabam por frequentar duas salas de aula. Uma em casa e outra na escola. De casa, como regra, já levam para a outra sala, as opiniões, preferências, idiossincrasias e aspirações dos próprios pais, combinadas com as suas. E também todos os traços comportamentais que involuntariamente, enquanto cresciam, de forma direta ou indireta, acabaram por assimilar através do convívio com os demais parentes, amigos mais próximos ou mídia interativa.

Do outro lado há o professor, que na maioria das vezes é obrigado a seguir uma pedagogia inútil ou depredadora da boa cognição; protocolos sádicos impostos pelas diretrizes curriculares oficiais. Trata-se de uma receita, onde a maioria dos ingredientes disponíveis não serve para feitura daquele bolo. E no final, depois de se gastar muito tempo e dinheiro, o aluno, como parte da regra ou de uma intencionalidade planejada, sairá daquela instituição mais deseducado e desorientado do que quando entrou, e o pior, angustiado e com medo do futuro.

Afinal de contas, por tradição ou obrigação, ali desde sempre se pratica a pedagogia da cognição inversa. Não é por acaso que as escolas não formam cidadãos pensantes e independentes. Parece tratar-se de uma manobra intencional, calculada, planejada, onde uma minoria que se reserva como autoridade pedagógica não tem a menor intenção de explicar para ninguém que o ideal é caminhar de olhos abertos, por conta própria, e não conduzidos por guias, a exemplo de cegos ou burros comboiados pelos cabrestos.

E assim, as escolas se tornaram apenas os meios oficiais e autorizados para disseminação da prática da cognição invertida. E naquele espaço os alunos aprenderão muitas coisas inúteis, e quase nenhuma útil. Aprenderão que ter dúvidas e pensar por conta própria é coisa proibida; sufocarão suas vocações e sairão convencidos de que a realização de cada um ocorre no momento em que se consegue um estável emprego público.

Por que será que as Pessoas são tão resistentes às mudanças?

Falar para um aluno ou filho que o esforço pessoal é um quesito imprescindível para se obter êxito em suas iniciativas, tem o mesmo peso de um aviso de tragédia. Esclarecer que disciplina não é a técnica de seguir procedimentos e protocolos a exemplo de um robô movido à corda, ou explicar o que vem a ser ordem pessoal, também não acreditamos que tais quesitos façam parte do currículo do atual modelo docente. Desse modo, por onde começar?

De que serve perguntar ao aluno o que ele deseja aprender, se ele sequer conhece as opções disponíveis ou quais são suas idiossincrasias e predisposições inatas mais agudas? De que serve perguntar que profissão ele deseja seguir, se não conhece sua vocação? Seria o mesmo que lhe oferecer um suntuoso palácio sem portas de acesso, ou ainda um par de luvas para alguém desprovido de mãos.

Mostrar para os alunos quais são as opções disponíveis, tomando o cuidado de esclarecer o que significa cada uma delas, seria o mínino no princípio, isso se houvesse decência no final. Depois deveriam ensinar o que é disciplina e ordem – que em nada se assemelha as regras do militarismo –, e o mais importante, por que eles precisam aprender e incorporar esses hábitos em suas vidas.

Deixar que o aluno escolha seu ideal de futuro sem antes conhecer nada sobre si mesmo, tem o mesmo valor que teria uma pedra preciosa para uma galinha faminta. Se ele não sabe ainda o mínimo da vida, como se exigir que inicie sua jornada acadêmica a partir do máximo?

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