Dicas para Autorreciclagem

19 Maneiras de Ensinar uma Criança a Aprender por Meio dos Erros...

Um exemplo só vale mais que mil palavras se for capaz de transformar-se em ação cognitiva e útil, e tudo isso a partir da conduta do preceptor que está sempre lúcido...
"Acertar a partir dos erros é um formidável exemplo de sabedoria. Errar a partir de acertos, um incontestável exemplo de estupidez..."
19 Maneiras de Ensinar uma Criança a Aprender por Meio dos Erros

Na educação tradicional o educador afirma para o aluno; no modelo ideal ele suscitaria uma dúvida e a afirmação ficaria por conta do aprendiz...

Avaliando a Questão...

Explicar para uma criança, por meio do exemplo, o que significa um tijolo quebrado, isso é relativamente fácil. Basta que ela visualize o tijolo inteiro e depois o processo da quebra e está feito. Não será necessário repetir o procedimento, afinal de contas, a demonstração já resume tudo. Assim, a experiência visual já é suficiente para que ela compreenda o significado da coisa.

Já a experiência sensorial, onde ela própria irá quebrar o tijolo, isso é outra coisa. Desse modo, temos então dois aspectos: a compreensão visual e a sensorial. São dois níveis cognitivos. Há o efeito visual e a sensação táctil. E isso deveria finalizar todo processo de aprendizado em relação a esse objeto.

Mas existe ainda um terceiro elemento ou recurso que é o acabamento teórico ou textual, quando, por meio de palavras e informações complementares, os dois primeiros se consolidam. No entanto, quando esse recurso é usado isoladamente, como não há o exemplo demonstrando o fato, a informação servirá apenas como dica ou indicação de uma hipótese, possível ou não, de ser comprovada posteriormente.

O aprendizado completo só ocorre quando a criança tem a experiência visual seguida da sensorial e complementada pelo esclarecimento textual ou explicação oral detalhada do que aconteceu. E quanto mais ela aprende sobre a recente autoexperimentação, maior será a qualidade da sua cognição.

“Para uma criança, conhecimento útil é tudo aquilo que ela é capaz de transformar em ação e dele tirar algum proveito para si...”

A maioria dos ensinamentos que as crianças captam dos adultos por meio dos exemplos, muitas vezes ocorre de forma discreta e involuntária. Isto é, o adulto no papel de orientador, não é capaz de perceber que está ensinando ao sempre atento jovem que está ao seu lado.

Pode ser uma mania, a expressão de uma reação de raiva ou ato violento; ou ainda um gesto de antipatia ou empatia. Em outras ocasiões, uma insatisfação ou mágoa, uma crítica sem fundamento, ou ainda um mau hábito, um vício ou dependência somática.

Para a mente ainda incipiente da criança, importa mais a utilidade que a qualidade. Um bom conselho teórico, por mais qualificado que seja, para ela, tem o mesmo valor que teria uma moeda de ouro para um gato do mato.

Se o conselho não vier precedido do respectivo exemplo, de modo que ela seja capaz de comprovar com sua memória visual e então associar à autoexperimentação sensorial, todo processo será perda de tempo. Mas, ainda assim, poderá ficar guardado em seu reservatório cerebral como uma eventual referência ou hipótese para suas futuras vivências.

Por isso, para uma criança pequena ainda carente de lastro cognitivo, ensinar a fazer tem mais valor do que dizer que pode ser feito. Já para um jovem, com mais experiência de vida, cujo lastro intelectual já o permite associar a palavra ao fato, a dica informativa é sempre preciosa, e se vier de fonte qualificada e íntegra, podemos considerar uma benção.

No entanto, engana-se aquele que vê o aprendizado como um processo que chega ao fim. Na verdade, trata-se de um caminho infinito e apenas de ida, onde a experiência de hoje sempre irá servir como alicerce para a compreensão da experiência de amanhã. E eis a razão pela qual está sempre incompleto.

Ainda assim, podemos ver quando começa. Por isso o esclarecimento na hora da dúvida é fundamental, insubstituível, fará toda diferença. Mas, para que isso aconteça é preciso que a prática da dúvida se transforme em um hábito. E isso ocorre naturalmente quando a explicação possível de se converter em aprendizado está disponível, ou seja, quando um educador consciente está presente.

Mas a criança só terá dúvida se souber qual a utilidade daquele contexto, e o mais importante, se tiver o aporte necessário para elucidar seu questionamento. E nesse caso, mais uma vez, o papel dos pais é insubstituível, afinal de contas, sem sua assistência o princípio da dúvida jamais fará parte do acervo cognitivo dos filhos. Desse apoio inicial poderá nascer a verdadeira inteligência, um status possível de aflorar apenas quando não temos certeza de nada.

O Imprescindível Papel dos Pais...

Um erro cometido é a melhor forma de exemplificar qualquer ensinamento. Assim, o pai ou educador atento usará esse valioso argumento cognitivo com os seus filhos ou alunos, sempre que a ocasião se fizer presente.

E no dia a dia não faltarão oportunidades. Pode ocorrer nos pequenos detalhes, a partir de erros discretos, ou mesmo insignificantes, afinal de contas, o terreno precisa ser preparado antes que os grandes eventos ocorram. Pela ciência do menos se chega ao mais.

Mas, sem paciência é bom nem começar. A impaciência é um péssimo mau exemplo, especialmente para a instável sensibilidade infantil. Ocorre que qualquer mudança negativa no estado emocional dos adultos poderá desencadear traumas irreparáveis naquele pequeno cérebro ainda em busca de um alicerce consistente para moldar as bases de sua personalidade.

Para a criança, o melhor ensinamento é aquele possível de ser demonstrado de maneira prática, ou seja, por meio da autoexperimentação. Já para o jovem, além da vivência, o esclarecimento sobre o que está acontecendo, este é um complemento de excepcional valor.

Entretanto, talvez o mais importante de tudo isso seja a descoberta das predisposições inatas da criança ou dos traços falhos e fortes em um jovem com mais idade. De posse desse acervo, o pai ou educador poderá ser mais eficiente em orientar cada um dos seus filhos ou alunos, encaminhando-os da forma adequada para a descoberta e aplicabilidade da sua vocação.

E lembrando mais uma vez que, uma palavra ou descrição, por mais refinado que seja seu detalhamento e contextualização, ainda assim é incapaz de injetar sensorialmente dentro daquele indivíduo a compreensão da experiência vivida por outro.

Leia Também...