Dicas para Autorreciclagem

4 Verdades sobre o Comportamento Infantil que os Adultos Desconhecem

A diferença entre o mau e o bom profissional não é apenas sua competência, mas também a qualidade do seu caráter...
"Uma pedagogia que segue à risca o status de uma mesologia doente não é capaz de conceber alunos psicologicamente saudáveis..."
4 Verdades sobre o Comportamento Infantil que os Adultos Desconhecem

Lembre-se sempre de que, o resultado das ações do potencial adulto que está naquela criança, vai depender da qualidade da instrução que ora ela recebe...

Compreendendo a Criança...

"Alguém que está sendo carregado por uma enxurrada não está preocupado com a qualidade do tronco no qual irá se agarrar, de modo que se ponha a salvo..."

O cérebro de uma criança é como um imenso livro com páginas em branco, onde é possível escrever qualquer coisa. E a qualidade dessa escrita fará toda diferença na construção de sua cognição e personalidade.

Uma criança não é um pequeno adulto, uma vez que ainda carece de muita experiência de vida. No entanto, possui sentidos mais apurados que um adulto, assim como uma capacidade de atenção superior. É capaz de perceber detalhes inconcebíveis para alguém mais velho, embora seja incapaz de classificar, opinar ou deduzir de maneira lúcida sobre o que está acontecendo.

É ingênua, mas não burra ou estúpida. Ingenuidade é uma consequência natural da falta de vivências. Já o intelecto é um atributo inato a qualquer humano. Ingenuidade é queimar a mão porque ainda não aprendeu o que é queimadura. Burrice é queimar a mão repetidas vezes por menosprezar um risco já conhecido.

Não se deve confundir má informação com capacidade intelectual. O intelecto é neutro, e lá dentro podemos colocar qualquer coisa, inclusive aquilo que não presta. O cérebro irá assimilar do mesmo modo como o faria com algo mais edificante. Ele é apenas um recipiente projetado para armazenar, não importa qual seja a qualidade do conteúdo.

Assim, a criança pode ser dotada de um intelecto saudável, que, no entanto, por ter sido mal orientada, irá agir de modo equivocado. E como ainda não possui um lastro de referências capaz de conscientizá-la sobre aquilo que é errado ou certo, não pode ser chamada de burra. A burrice existe quando ela conhece os dois aspectos e ainda assim permanece no erro.

Qualificando a Cognição Infantil...

O ato de desenhar é tão natural para criança quanto o de ouvir histórias. A prática do desenho desenvolve a autoestima, o senso de disciplina e auto-organização. Favorece ainda a criatividade, é capaz de criar novas sinapses cerebrais e potencializar processos psicológicos que otimizam a cognição.

Ao contar histórias para seu filho, os pais estreitam os laços de amizade entre ambos criando a motivação necessária para que ele venha a se tornar um futuro leitor. Comentar as historinhas com a criança é uma excepcional oportunidade de introduzir em sua vida o hábito do diálogo, uma forma saudável de debate e comunicação nas relações interpessoais.

Como resultado, ela irá crescer mais segura de si e não padecerá com as tradicionais barreiras psicológicas que existem entre os jovens quando o assunto é o diálogo com os pais. Confiança se conquista a partir do convívio espontâneo e nunca por meio do contato dissimulado próprio daquele convívio obrigatório ou sob a jurisprudência das convenções sociais.

A boa música, instrumental, harmônica ou com melodia suave e ritmo equilibrado, conforta e acelera seu potencial cognitivo. Os tons cadenciados reforçam as sensíveis sinapses cerebrais, um conjunto de conectores cuja função é conduzir sinais ou pulsos bioelétricos potencializadores das funções cerebrais. Tudo isso contribui de maneira dramática para o incremento da memória e patrocina a quebra da ansiedade e o equilíbrio emocional da criança.

A singular importância dos Pais no processo Cognitivo Infantil...

Uma boa cognição contempla bons exemplos seguidos de claros e objetivos esclarecimentos ou explicações. Obviamente, esse processo sempre começa em casa, mas deveria ser reforçado na escola. No entanto, os pais não poderão confiar nessa equação, uma vez que a escola tradicional, já faz tempo, abriu mão de qualquer atribuição dessa natureza.

Por isso, para começar, deverão os pais introduzir como pauta cognitiva para os pequenos o princípio da dúvida. Mas, sem alienações ou extremismos, e sim com ponderação e paciência. Também deverão explicar o que significa o ato de investigar, de modo que eles se tornem capazes de encontrar, por conta própria, respostas para os seus atuais e futuros questionamentos.

Agir por conta própria não significa guiar-se por opinião pessoal, mas ter autonomia e imparcialidade na condução dos seus processos exploratórios. Por isso é tão importante ensinar o que significa o ato de aprender a aprender. E a partir do autoaprendizado as crianças se tornam mais capazes, autossuficientes, mas sem arrogância ou extremismos.

Explicar para uma criança o valor de um bom conselho só irá funcionar se além das palavras o caso for ilustrado com o respectivo exemplo. Assim, ao ver que os pais praticam aquilo que defendem através de argumentos verbais, também reconhecerão aquela orientação como de grande valor para suas vidas.

O castigo ideal ocorre quando a criança tem como punição a perda de algum privilégio pessoal já conquistado, como, por exemplo, o direito de usar o computador. Depreciar a criança com gritos ou ofensas, além de não corrigir seu comportamento doentio, só vai criar problemas sérios com a sua autoestima.

Autonomia não quer dizer arrogância, muito menos a tirania do imbecilismo que naturalmente aflora a partir da vaidade por se achar sabedor de tudo. Isso também se aprende primariamente em casa, mas é uma condição que pode ser reforçada por meio da televisão, redes sociais ou entre amigos. Mas lembre-se, o contato com os amigos e as demais fontes sempre irá ocorrer depois do convívio primário com os pais.

Compreendendo a Força do Condicionamento Doméstico...

Na convivência com os amigos, se os nossos filhos já saem de casa contaminados com manias e hábitos desabonadores, o caminho para a deformação já estará traçado. Do mesmo modo, durante o convívio com os mesmos amigos, se já saem de casa contagiados pelos bons hábitos e esclarecimentos adequados, o caminho para o companheirismo saudável e sem comportamentos patológicos também já foi traçado.

O egocentrismo é natural numa criança, uma vez que ela, apesar de ser dotada de um cérebro capaz de pensar, ainda se guia pelo instinto do animal irracional que também é. No entanto, só irá praticar o egoísmo se primeiro aprender em casa.

Por isso a importância da boa cognição e das boas companhias, assim como dos bons exemplos no início de sua jornada cognitiva. Lembre-se sempre de que, todas essas lembranças se tornarão permanentes fontes de referência para futuras consultas durante os momentos críticos de sua vida.

Quando criamos para nossas crianças um reino do faz de contas, estamos criando futuros adultos alienados pela negação do que é real. Só o mundo real é capaz de educar, mesmo com todas suas distorções e defeitos. Afinal de contas, não é esse mundo que também servirá de residência para nossas crianças?

Talvez, ao se tornarem conscientes desde cedo do mundo patológico que existe lá fora, ao contrário de nós que fomos enganados pelas fadas de mentirinha, pode ser que elas resolvam abandonar nosso modelo comportamental patológico. Um modelo cujo reflexo é um mundo doente, um bioma deformado abonado por nós desde o berço; uma fórmula cujo funcionamento embora seja desastrosa, ainda assim continua a fazer parte dos nossos dias.

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