Artigos para Autorreciclagem

Sorria, Você está sendo Manipulado

Há um grande equívoco quando se imagina que estar bem informado é sinal de inteligência; e o pior de tudo é quando imaginamos que estamos bem informados a respeito de alguma coisa...
Sorria, Você está sendo Manipulado

Inteligência não é um atributo que se conquista ao final da jornada e sim no início quando nos damos conta de que não o somos...

O Poder da Desinformação Planejada...

Um Conto Reflexivo: Dois amigos acabam de subir uma ladeira muito íngreme. Chegando ao topo um deles exclama: "Como é íngreme essa ladeira!" E diz o outro: "Como é bela a vista aqui de cima..."

Palavras de um publicitário a um empresário, durante o intervalo da mostra de um Briefing da campanha de lançamento de um novo produto: “O Povo não tem opinião formada sobre nada, por isso está sempre à espera de uma sugestão. Isso cria um potencial a ser explorado que é impossível de ser calculado. Atualmente, sem falsa modéstia, posso adiantar que podemos fazer o sujeito se identificar com qualquer coisa, e o mais importante, ele ainda irá para casa feliz da vida e crente de que tomou aquela decisão porque essa foi a sua vontade...”

Um sábio, depois de estudar durante anos a história de uma civilização perdida, tabulando e confrontando diferentes pontos de vista, decidiu traçar sua própria versão sobre o assunto. E ao concluir o projeto, afirmou para si mesmo: “Juntar opiniões distintas para tentar descrever um fato que não conhecemos é como tentar descobrir como se chega a um local sem nome, sem formato tangível e sem endereço, em busca de alguma coisa cuja aparência desconhecemos...”

Há um grande equívoco quando se imagina que estar bem informado é sinal de inteligência. E o pior de tudo é quando imaginamos que estamos bem informados a respeito de alguma coisa.

De fato, posso acreditar em uma mentira e imaginar com isso que estou bem informado. Uma crença não é capaz de tornar real aquilo que é uma ilusão. Por exemplo, os sábios ou cientistas oficiais da antiguidade acreditavam que a terra além de plana era o centro do universo, e isso, para eles, significava estar bem informado.

Quando uma grande publicadora de jornais, livros, revistas ou conteúdos audiovisuais, ao longo do tempo, pela sua postura austera e comprometimento, desfruta de reputação e credibilidade junto à população, sua palavra, dentro daquela mesologia, tem o mesmo peso de uma lei. E aquilo que divulga é recebido pelo público sem resistência, como a mais legítima verdade.

E do mesmo modo que os textos dos livros sagrados, para os discípulos e congregados de uma doutrina ou ideologia religiosa representam fatos incontestáveis, no mundo real, quer dizer, na sociedade mundana, existem instituições que, diante da opinião pública, possuem um grau de credibilidade tão acentuado que poderão servir de referência, peso e medida, para atestar ou negar a veracidade de uma notícia, informação ou opinião. Algumas dessas corporações, por força do seu “pedigree”, são conhecidas como as “Fontes Oficiais”.

Funciona como uma espécie de tribunal, a última instância à qual é possível recorrer para cientificar, autenticar, homologar ou certificar uma questão qualquer. Seu aval serve de prova e palavra final de que aquilo é coisa legítima, genuína ou falsa. E daquele ponto em diante, quase não existe mais espaço para contestações, refutações e elucubrações sobre o assunto.

Mas, o que caracteriza uma verdade? Afinal de contas, para um fanático religioso, cujo condicionamento não o permite contestar seu senhorio, qualquer mentira tem o mesmo peso de uma verdade.

Noutro exemplo, para um louco, que durante seus delírios psicóticos imagina ser possível cortar um sólido poste de ferro com uma lâmina de barbear, essa ideia, embora pareça um absurdo para uma pessoa normal, também representa a mais pura verdade.

O Mito da Informação Fidedigna...

Onde se deduz que a verdade pode ser dividida em três categorias: A relativa, a parcial, e finalmente, a verdade factual; esqueçamos a absoluta. Na primeira, o que conta é a percepção do observador. Se ele for míope, o mundo para ele é embaçado, difuso e distorcido, e ponto final. Na segunda, ela não é nem totalmente mentira, nem completamente verdade, está incompleta, mas pode ser transmitida como verdade, e como verdade será recebida e aceita. No terceiro caso, estamos diante de um fato, onde a opinião, testemunho ou necessidade de confirmação de quem quer que seja, é dispensável ou desnecessária.

Portanto, no nosso caso, apenas as duas primeiras condições serão levadas em conta, já que são os meios usados para disseminar no meio social a desinformação, as “Fake-News”, os eufemismos ou a mentira travestida de verdade.

Mas, engana-se quem pensa que a Desinformação é a ocultação de uma verdade. De fato, trata-se de uma mentira fabricada para ser disseminada como verdade, com um objetivo pontual, calculado, magistralmente planejado. Desinformar não é apenas deixar o sujeito mal informado, mas, antes disso, trata-se de uma técnica usada para informar intencionalmente de maneira errada ou distorcida, e ainda fazer o indivíduo acreditar que se trata de uma certeza.

Mal informado é aquele indivíduo que não sabe o que está acontecendo, ou por falta de interesse, ou porque não tem acesso a informação. Desinformado é aquele que tem acesso a falsa informação, e apesar de achar que sabe, ignora que não sabe.

Assim, informar o errado como certo, em um mundo onde uma minoria parcialmente informada tem o controle absoluto daquilo que vai para dentro dos cérebros ou intelectos de uma maioria completamente alheia à realidade, tornou-se uma técnica de guerrilha, e um dos mais eficientes meios de dominação, controle social e alienação coletiva.

Com tanto poder em mãos, esse mecanismo, com as ferramentas que estão sob sua custódia, é capaz de transformar um terrorista em santo ou um santo em terrorista, quase num piscar de olhos. Usando o mesmo critério, é capaz de transformar uma coisa completamente inútil em uma necessidade existencial, pela qual, seus bichinhos amestrados estarão dispostos a sacrificar a própria vida para embalar e levar para casa debaixo do braço, pouco importando qual seja o preço.

Pensando Fora da Caixa...

E como eles conseguem fazer tamanha lavagem cerebral em seus autômatos? Usando aquilo cujo controle sempre esteve em suas mãos. Os livros, as revistas, jornais, seminários, simpósios, quadrinhos, filmes, artigos científicos, documentários, redes sociais, cursos, escolas, discursos políticos, debates, o meio religioso, a propaganda, boatos e assim por diante.

E como funciona o processo de disseminação? Por regra, os frutos são colhidos de uma geração para outra. E ocorre quase sempre de modo lento, feito com paciência e cautela, imperceptível para quem recebe. Mas, num ritmo sempre regular, persistente, dia e noite a mesma e discreta ladainha ecoando na cabeça da pobre vítima, e de repente, depois de tantas dicas subliminares ou diretas, o sujeito sai do cinema louco para comprar, por exemplo, um saco de pipocas amanteigadas, mesmo sem saber o motivo. E está feito.

Observação: Durante a exibição desse filme fictício usado no exemplo, mensagens subliminares imperceptíveis a olho nu, intercaladas entre as cenas, sugerindo o consumo de pipocas amanteigadas, foram de maneira regular exibidas aos espectadores.

Assim, desinformado e alheio a realidade dos fatos, ignorante e sentado em volta das mesas das academias científicas, com a insígnia do conhecimento em volta do pescoço, não imagina que se tornou um semeador voluntário de mentiras ou fantasias; ideias que foram habilmente encapadas como verdades. E nem de longe passa pela sua cabeça que, além de ter sido enganado, está sendo usado como instrumento de manipulação coletiva, e o pior de tudo, convicto de que está praticando, de boa fé, uma edificante ação.

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