Artigos para Autorreciclagem

O Princípio do Retrocesso Evolutivo Voluntário

Parece que quanto mais o tempo cronológico avança em nossas vidas, mais nosso progresso consciencial recua segundo esse mesmo critério...
O Princípio do Retrocesso Evolutivo Voluntário

Em nosso tempo, o indivíduo que se recusa a seguir o bloco de “Maria vai com as Outras”, corre o risco de ser considerado um psicopata social...

O Princípio Patológico dos Cultos Sociais Bizarros...

Um Conto Reflexivo: Duas abelhas, depois de muito procurar, finalmente encontram um canteiro de flores silvestres. Uma delas comenta: "A Cada dia fica mais difícil encontrar néctar para o nosso mel..." E diz a outra: "Graças às distâncias cada vez maiores, a Cada dia ficamos mais resistentes e fortes para irmos procurar cada vez mais longe..."

Se há uma razão para a existência da raça humana, com base em evidências atestadas pelo bom senso e lógica racional, podemos supor que esta não é acreditar na existência do Papai Noel. Muito menos cultuá-lo como se fosse um personagem de verdade, especialmente quando sabemos tratar-se apenas de um ícone criado para fins comerciais. Mas, será que sabemos mesmo disso?

Aliás, a lenda do religioso chamado Nicolau, que era papa, este sujeito era outro, e não ressuscitava a cada dezembro vestindo roupas vermelhas com barrete de banda circular branca e segurando criancinhas no colo para tirar “selfies” em troca de um cachê.

E depois, os mesmos adultos que se prestam a alimentar um mito dos mais extravagantes e estúpidos, do alto de sua duvidosa e bizarra sabedoria, olham para baixo torcendo o nariz, quando o assunto são os amiguinhos ocultos chamados de “imaginários” com os quais apenas seus filhos pequenos são capazes de interagir.

Levando em conta os fatos, talvez os fantasmas invisíveis que fazem companhia aos pequenos na ausência dos pais sejam mais reais do que aquele garoto propaganda inicialmente criado para atuar nos anos 1920 como baluarte de uma indústria de refrigerantes. Um personagem fictício que, vestido de vermelho e branco, por força de uma jogada comercial convenientemente transformada em tradição cultural, durante o mês de dezembro, em cada centro de compras do mundo ocidental, nunca deixa de bater seu cartão de ponto.

E parece que quanto mais o tempo cronológico avança em nossas vidas, mais nosso progresso consciencial recua segundo esse mesmo critério. É como no processo de crescimento da cauda de um cavalo, que quanto mais aumenta de tamanho, mais reduz a fração da distância em relação ao chão.

Deixando de lado os contos da carochinha e os mitos criados desde o tempo em que morávamos em cavernas naturais, na verdade, ainda não conhecemos o curso ou motivos da gênese humana. Mas podemos constatar que foi uma coisa real, uma vez que desde aquele tempo, sabe-se lá quanto, como indivíduos ou entidades vivas, de fato ainda estamos aqui.

Também sabemos de outra coisa: desde que aprendemos a nos expressar verbalmente, seja através de símbolos, sinais, palavras ou palavrões, que o medo é nosso companheiro inseparável. Mas não por afinidade ou empatia; muito menos porque se trata de um atributo que mereça nossa consideração, apreço, respeito ou que seja capaz de agregar valores significativos dentro da grade psicológica e processo evolutivo humano.

Em Busca da Lucidez Perdida...

Então, se ele não é nada disso, desde aquele tempo em que usávamos as paredes de granito das nossas cavernas em lugar de folhas de papel para nos expressar artisticamente, por que ainda permanece conosco? Se o medo não é um amigo ou uma vantagem, quais seriam então os motivos de tão longa convivência com tão indesejado inquilino?

A questão toda é que, desde nossos primeiros passos dentro de casa em busca de armadilhas para nos informar que o perigo além de existir também é capaz de machucar, nunca nos iniciaram num processo existencial básico, necessário e de inestimável valor quando se conhece. Trata-se da capacitação voluntária para pensar de modo reflexivo, um atributo que representa o primeiro degrau rumo à evolução cognitiva, progressão consciencial ou despertar da inteligência.

Se a dúvida representa a gênese do conhecimento, o questionamento é um processo natural dentro dessa equação. É a correta pedagogia quando se busca esclarecimento com a intenção de se aprender alguma coisa. E se não existe o advento da dúvida, que representa a engrenagem que ativa o mecanismo do pensar lúcido, nunca descobriremos o verdadeiro significado da inteligência.

Ter potencial para pensar de modo lógico e lúcido não significa que já sabemos como fazê-lo. Alguém precisa, em primeiro lugar, nos informar de que isso é possível. Desse modo, caso seja do nosso interesse, uma posterior investigação cuidadosa é o caminho natural para aprender como se faz. Experiência ainda não é um atributo capaz de ser transferido de um indivíduo para outro, seja por meio de palavras, crenças, drogas alucinógenas, passes ou rituais místicos.

O pensamento inteligente ou integral só ocorre quando descobrimos que ainda não sabemos pensar voluntariamente, mas apenas de maneira condicionada e acanhada. Após a eliminação de todos os procedimentos que não caracterizam a arte do pensar lúcido, por dedução lógica, restará um vácuo que poderá servir como guia para o florescimento dessa importante qualidade consciencial. Cognição a partir da repetição é simples mímica. Nesse caso, você apenas toma emprestado pensamentos alheios, simplesmente porque não tem competência para criar um repertório próprio.

É como um cego de nascença que precisa de um guia para conduzi-lo, e isso ocorre porque nasceu inapto para descobrir por onde caminha. E como não nos ensinam desde cedo os fundamentos da arte de pensar por conta própria, também, desde tarde, como cegos, preferimos continuar na ignorância sendo conduzidos por guias cegos, e pior de tudo, firmemente convictos de que somos autônomos em nossos passos.

Uma mente sem uso torna-se fossilizada, perde a elasticidade e despreza seu potencial criativo. Abre mão de sua capacidade natural para refletir e até de tornar-se inteligente. Mas o pior de tudo é o culto exagerado aos absurdos, que a maioria adota como catequese e ostenta com orgulho como se fosse um indício de superioridade ou progresso consciencial.

Pensando Fora da Caixa...

E se o homem é apenas mais uma vítima de um longo processo de lavagem cerebral, uma campanha patrocinada pelas autoridades ou guias encarregados de distribuir um lastro cognitivo desnecessário, torna-se um culpado por omissão ou acomodação, uma vez que prefere esperar sentado por um milagre que virá de fora para consertar os obscuros defeitos que se escondem nos compartimentos secretos do seu Ego.

Em suas crenças pessoais há a expectativa do advento mágico, do toque celestial capaz de reverter a conduta da humanidade de conformidade com suas deliberações ou demandas, e tudo isso num estalar de dedos. Mas essa transformação nunca seria de graça, por isso, esse mesmo homem acomodado está disposto a fazer um sacrifício pessoal, penitência ou barganha sacra, uma conveniente forma de pagar pelo favor ou privilégio recebido.

E de acordo com seu ponto de vista, já que o dinheiro é capaz de comprar tudo que conhece, a penitência ocorrerá na forma de uma generosa doação ou resignado trabalho voluntário. Mas também poderá ter a forma de um sacrifício ainda maior, talvez o mais dramático e difícil de todos, que é poupar as carnes dos inocentes animais irracionais do seu voraz e caprichoso apetite, uma vez a cada ano, ou às vésperas de algum relevante evento religioso ou sagrado.

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